“A Secretaria de Segurança não tem corrupção”, diz secretário Bonates

Foto: Secretário da SSP-AM, Louismar Bonates dá entrevista na ALE-AM (Márcio Gleyson/Divulgação)

O secretário de Estado de Segurança Pública, Louismar Bonates, declarou nesta terça-feira, dia 13, que a pasta que ele comanda não tem corrupção. Bonates negou necessidade de medidas para controle da atividade policial alegando que o sistema de segurança já tem seus mecanismos.

A Segurança Pública, no último mês, virou protagonista na cobertura da mídia nacional e foi acusada por reportagem investigativa do jornal Folha de São Paulo de registrar a terceira chacina realizada por policiais na gestão de Bonates.

Além disso, às notícias negativas do setor se somam: os três dias de ataque de facções criminosas a Manaus e outras nove cidades do interior e a prisão do secretário de estado de Inteligência, Samir Freire, acusado de usar a estrutura de pessoal e o equipamento Guardião da SSP-AM para monitorar garimpo ilegal e roubar ouro.

Chamado a comparecer na ALE-AM para prestar esclarecimentos sobre os ataques das facções a Manaus, Bonates ignorou o primeiro convite, mas, pressionado pela repercussão da chacina de Tabatinga e da prisão de um secretário que ocupava cargo de confiança dele no governo, atendeu a segunda chamada.

A base de Wilson Lima, no entanto, blindou o secretário de uma exposição maior e vetou jornalistas na reunião da Comissão de Segurança Pública, que ocorreu a portas fechadas na sala da presidência da ALE-AM. O presidente da Casa, Roberto Cidade (PV) chegou a determinar que os repórteres entrassem na sala para acompanhar a audiência, mas o presidente da Comissão de Segurança Pública, deputado Cabo Maciel (PL), pediu a retirada dos mesmos da sala.

Na saída da reunião, que durou uma hora e meia, Bonates deu entrevista de cerca de três minutos à imprensa. Veja a seguir as perguntas que o blog fez ao secretário:

Rosiene Carvalho (RC): Quais medidas a SSP-AM vai tomar para controlar a atividade policial e também combater a corrupção no setor?

Louismar Bonates: Não, a Secretaria de Segurança não tem corrupção. O sistema de segurança público já tem o seu setor de fiscalização que é o Proceap (Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial), que é o Ministério Público e nós temos a Corregedoria também que faz este trabalho no sistema de segurança pública. Bem como as duas polícias têm esse setor. A DJD (Diretoria de Justiça e Disciplina) pela Polícia Militar e a UAIP (Unidade de Apuração de Ilícitos Penais) pela Polícia Civil.

RC: Como o senhor avalia esses desvios apontados na segurança pública, coordenada pelo senhor?

Louismar Bonates: Esse trabalho específico está sendo apurado. Este trabalho está sendo feito pelo MP (Ministério Público) e esta pergunta tem que ser feita ao MP. Nós estamos fazendo nosso trabalho junto à Corregedoria.

RC: O senhor tem alguma avaliação própria a respeito como gestor?

Louismar Bonates: Nós não admitimos corrupção dentro do sistema prisional (sic). Quem estiver fazendo atividade errada irá assumir as responsabilidades dos seus atos e responder junto aos órgãos internos e externos.

RC: Quais as medias serão tomadas para incentivo à probidade administrativa nos órgãos da segurança pública?

Louismar Bonates: Não é necessário incentivo. É obrigação de todo funcionário público agir com probidade, portanto, não precisa incentivar. O salário deles já é o necessário.

RC: O senhor já participou, serviu em vários governos. Está muitos anos em atividade. Quais desses governos o senhor considera que enfrentou o maior problema na segurança pública?

Louismar Bonates: Essa pergunta é uma questão política, que não sei realmente avaliar qual foi o pior.

RC: Especificamente sobre os acontecimentos em Tabatinga, o que o senhor tem a declarar?

Louismar Bonates: Olha, nós mandamos para lá… Primeiro, afastamos o comandante da PM, estamos trocando alguns policiais de lá, antecipadamente mesmo sem ter nada comprovado da participação deles. Mandamos para lá um delegado com uma equipe da Polícia Civil, além do inquérito que estava sendo feito pela doutora Mary Anne (Trovão), delegada de lá. Foi uma equipe especial daqui para fazer uma investigação mais isenta e estão lá neste momento fazendo este trabalho.

RC: Há policiais de fora do estado no caso?

Louismar Bonates: Não. A equipe do estadual é competente para resolver seus problemas.

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