O golpe continuado

Foto: Reprodução da reunião ministerial do presidente Bolsonaro do dia 22 de abril

*Por José Alcimar

Diferentemente do Golpe de 1964, empresarial-militar, com tanques na rua, o golpe em curso, com um primeiro desfecho em 2016, segue outra linha, haja vista a via eleitoral da ascensão ao poder de um presidente que se utiliza da democracia, da frágil democracia brasileira, para destruí-la a partir de dentro.  ...  Ver mais

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O Centrão, a infelicidade da consciência feliz e a mentira sob medida

*José Alcimar de Oliveira

01. Se para Aristóteles há diversas formas de nominar o ser, nem sempre o ser corresponde ao que é dito pelo nome. A medida do ser nunca é comensurável à medida do nome. Mas não é de somenos o que o poder de quem pode nominar tem sobre o ser. A razão filosófica, ou precisamente quem pensa o ser no itinerário dialético da ontologia do ser social, trabalha noutra direção: a autoridade do nome não procede do poder de quem nomina, mas da objetivação histórica que o sujeito social, munido de mediações dialéticas, é capaz de elaborar acerca do mundo subjetivo da consciência, do mundo objetivo das coisas e do mundo socialmente constituído.  ...  Ver mais

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Badiou e o internacionalismo proletário em São Paulo: um diálogo de Jesus com agnósticos, ateus e crentes, inclusive

Foto: Filósofo Alain Badiou (fernandoeichenberg.wordpress.com)

*José Alcimar de Oliveira

01. A mais relevante característica dos grandes pensadores da história reside no desafio de agir e pensar com os pés em seu tempo e para além de seu tempo histórico. Em razão dessa potência, nenhum deles, sem exceção, coube em sua época. Já eram clássicos sem o saber. São agentes transepocais. Para nomear alguns, dentre os grandes, poderíamos citar Heráclito, Sócrates, Jesus, Justino, Agostinho, Aquino, Descartes, Espinosa, Kant, Hegel, Marx, Nietzsche, para ficar nos limites temporais do século XIX. Essa a razão de não incluir Freud. E admito incompleta e parcial a lista.  ...  Ver mais

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Habermas e Paulo Freire: reflexões filosóficas à margem da academia em tempos coronaviranos

Foto: Habermas (centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br)
Foto: Habermas (centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br)

*José Alcimar de Oliveira

01. Em recente entrevista ao Le Monde, em 11 de abril de 2020 [concedida a Nicolas Truong, traduzida por André Magnelli & Felipe Maia (UFJF), Fios do Tempo, 12 de abril de 2020], Habermas faz uma distinção entre o populismo “intelectual” de direita e o populismo “cotidiano” de direita. Segundo esse grande pensador, já nonagenário, lúcido e produtivo, “o populismo ‘intelectual’ de direita pode ter pretensões intelectuais, mas essas são apenas pretensões. Ele é, tão somente, um pensamento fraco. Por outro lado, o populismo ‘cotidiano’ de direita, que se estende muito além dos estratos empobrecidos e marginalizados da população, é uma realidade a ser levada a sério”. Não sou exatamente um leitor frequente de Habermas. Além disso, nem pela mais remota mediação do trabalho remoto haveria possibilidade dessas minhas inquietações filosóficas chegarem ao conhecimento do autor da mundialmente reconhecida Teoria do agir comunicativo, publicada em 1981 (com 1.558 páginas na edição brasileira), duzentos anos depois da primeira edição da Crítica da razão pura de Immanuel Kant. A essas duas grandes obras, a Crítica da razão pura e a Teoria do agir comunicativo, a filosofia deve o que se define pela segunda e terceira revolução copernicana.     ...  Ver mais

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Sobre silêncio, luta de classes e coronavírus: diálogo marginal entre Benjamin e Merton

Centro de São Paulo. Pessoas caminham na Praça do Patriarca, em São Paulo. 23/02/2016 Foto: Marcos Santos/USP Imagens (Agência Brasil)
Centro de São Paulo. Pessoas caminham na Praça do Patriarca, em São Paulo. 23/02/2016 Foto: Marcos Santos/USP Imagens (Agência Brasil)

Nesses tempos de isolamento social compulsório podemos recuperar o valor da solidão.

Na experiência da solidão o ser social pode recuperar a integridade ontológica dissipada pelo ritmo da pressa, do excesso e da superficialidade em que nos enredamos.  ...  Ver mais

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