MP-AM e CMM silenciam sobre uso de funcionário e carro da prefeitura no caso Flávio

Arthur Neto e Elisabeth Valeiko. foto: divulgação

É incômodo o silêncio do MP-AM (Ministério Público do Estado do Amazonas) e da CMM (Câmara Municipal de Manaus) sobre as informações que surgem no caso do homicídio do engenheiro Flávio Rodrigues em relação ao uso de um funcionário e um veículo pagos com recursos da Prefeitura de Manaus em serviço do interesse particular da família do prefeito Arthur Neto (PSDB).

O homicídio em si é o crime mais brutal, porque nada vai repor a vida do engenheiro.

Mas, ao longo da semana passada, as investigações e as informações publicadas na mídia trouxeram à tona fatos, declarações que indicam uso de recursos públicos aplicados em favor de interesse particular. Isso precisa ser esclarecido. Precisa de resposta.

Arthur calou

Há um silêncio da Prefeitura de Manaus, da CMM e do MP-AM na contramão do que essas informações geram na população em função da repercussão que o caso ganha.

Quem partiu de peito aberto da forma como se posicionou em postagem às 5h da terça-feira, dia 1º, cerca de 24 horas após o crime, constrangendo a memória e a família do engenheiro assassinado, não pode se calar agora que informações apontam, no mínimo, uso de dinheiro público para fim particular.

O prefeito precisa ao menos demonstrar que está interessado em descobrir quem errou e dizer se houve anuência dele.

O policial militar Elizeu da Paz e o delegado do 19º DIP (Distrito Integrado de Polícia), Aldeney Goes Alves, falam sobre este fato claramente nos documentos do pedido de prisão e no depoimento de Elizeu.

A informação de que Elizeu, pago com dinheiro público, trabalhava como segurança particular do enteado do prefeito não é tratada como dúvida pela autoridade policial nos documentos que estão tramitando na justiça.

Sensação de impunidade

Usar todos os recursos honestos em favor da defesa de um familiar, contratar dois dos melhores e mais caros advogados do Estado para atuar na condução jurídica da proteção do enteado não é algo que se possa classificar como ilegítimo. Qualquer pessoa, nesta e noutras situações, gostaria de ter as mesmas possibilidades.

Mas é impossível evitar as repercussões e o efeito das medidas no senso comum, na sociedade.

Quando todos envolvidos no caso estão cumprindo a prisão temporária e apenas um, que é da família da maior autoridade política do município e pode contratar os melhores advogados, não sofre as mesmas medidas, isso gera um efeito, uma ideia, uma interpretação nas pessoas.

Esse efeito fabrica um boleto político para Arthur Virgílio. Há uma impressão na imagem de Arthur deste desdobramento potencializada pelo discurso que ele adotou na partida. Desastroso e suicida do ponto de vista político. Ainda mais para um homem com o histórico de sagacidade e habilidade que tem o tucano.

Quase inacreditável imaginar que Arthur Virgílio se posicionaria daquela maneira diante do caso.

Além disso, juristas que pediram para não serem identificados, avaliam o dano deste momento e da interpretação que isso gera na sociedade para o próprio processo como negativo.

Os investigados, caso denunciados, irão parar no Tribunal do Juri. Lá há um contexto de julgamento de difícil acesso à influência política e de grande peso da opinião pública, que está sendo formada com os desdobramentos atuais.

Tratei sobre o assunto na coluna de Política da Band News Difusora, na 93.7, às 8h20 desta segunda, dia 7. Ouça o podcast:

Foto: Divulgação

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