“Nós vamos na jugular dele”, afirma Omar Aziz sobre Bolsonaro

O senador e coordenador da bancada do Amazonas no Congresso Nacional, senador Omar Aziz (PSD), afirmou que a reação aos ataques que o Governo Bolsonaro tem feito ao PIM (Polo Industrial de Manaus) será nas Eleições 2022. Para o senador, as medidas que prejudicam a espinha dorsal da economia do Amazonas usam estratégias para enganar e prejudicar a população. Omar afirma que os amazonenses não irão aceitar isso.

“Ele (Bolsonaro) pode rugir, a gente vai na jugular dele que é a eleição. Ele está enganado com os amazonenses, ele se engana com os amazonenses”, declarou o senador em entrevista exclusiva ao jornal Alta Frequência da rádio BandNews Difusora (93.7), em Manaus, nesta sexta-feira, dia 15.

O senador é uma das principais lideranças políticas do Estado e do PSD nacional. Além disso, mais uma vez, Omar ocupa posição de player de destaque na construção política do processo eleitoral em curso no Amazonas. Conseguiu articular alianças massivas com lideranças no interior, com palanques em formação para o governo do Amazonas e é considerado o político do estado de maior proximidade com Lula, pré-candidato à presidência da República.

Ataque à ZFM

No dia 25 de fevereiro, véspera do feriado de Carnaval, o presidente da República, Jair Bolsonaro, assinou e publicou o Decreto nº 10.979 , numa sexta-feira. Anunciado como “um marco para a reindustrialização do País” pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o decreto foi considerado um dos mais duros golpes contra estados, municípios e a ZFM (Zona Franca de Manaus). A avaliação é da Comsefaz (Conselho de Secretários de Fazenda dos Estados e Distrito Federal), de entidades que representam a indústria, os trabalhadores e parte da classe política do Amazonas.

O decreto aplicou um corte linear e imediato de 25% nas alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em todo País. Assim como os demais estados, o Amazonas é afetado nos repasses dos fundos sustentados pelo IPI. Mas o baque é muito duro porque atinge incentivo fiscal do modelo Zona Franca de Manaus. Sem renúncia fiscal, as empresas não contam com atrativo para se manterem longe dos principais centros de consumo do País.

No dia 9 de março, o presidente recebeu o governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Amazonas), Antônio Silva, e dois ex-superintendentes da Suframa, Alfredo Menezes e Alfredo Nascimento, ambos do PL, atual partido de Bolsonaro. O presidente prometeu reeditar o decreto, a partir de uma proposta construída entre a equipe técnica do Ministério da Economia e da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda do Amazonas).

No dia 14 de abril, véspera do feriado da sexta-feira santa, o presidente assinou e publicou o Decreto n° 11.047, que trata sobre a questão, mas que não excepecionaliza os produtos fabricados na ZFM, conforme havia prometido.

Omar Aziz afirmou que os dois decretos, assinados pelo presidente Jair Bolsonaro sobre o IPI, foram publicados em véspera de feriado para minimizar os efeitos sobre a população e depois “fazer parecer” que nenhum dano foi cometido pelo presidente contra o estado.

O senador afirmou que as alternativas de exploração das riquezas naturais da floresta não é a realidade para Manaus que concentra metade da população do Amazonas. “Qual alternativa gera R$ 100 bilhões de faturamento por ano, que é a segunda maior indústria do País?”, disse.

Para o senador, o presidente deu “punhalada” nas costas daqueles que o apoiaram em 2018. “Fora o fanatismo, a seita deles, você pode entender que a economia do Estado do Amazonas depende exclusivamente da ZFM”, explicou.

“Dirigentes da indústria protegem Bolsonaro”

Omar afirmou que os dirigentes da indústria, no Amazonas, tem que acabar com “esse negócio” de colocar culpa no ministro Paulo Guedes sem responsabilizar o presidente Bolsonaro.

“Esse pessoal da indústria tem que acabar com esse negócio de dizer que é o Paulo Guedes. Não é o Paulo Guedes, não. Quem manda é o presidente Bolsonaro (…) Só peço uma coisa para entidades de classe, empresariais e trabalhadores, que cobram muito da classe política e tem razão em cobrar, não escamoteem a verdade para o povo: esse decreto é do presidente, do Bolsonaro. Não é do ministro da Fazenda. Quem foi votado em Manaus e quem está fazendo o mal é o presidente Bolsonaro”, declarou Omar.

Presidente fez quem reuniu com ele de trouxa

Segundo o senador, o presidente fez de trouxa o governador, o presidente do Fieam e “outros três” que reuniram com ele para “tirar fotos”.

“Ele fez uma reunião com o governador, presidente do Fieam e três outros lá. Tiraram fotos, deram entrevistas que iam tirar os produtos da ZFM. Tudo balela, tudo mentira, tudo para enganar trouxa. Não fez de trouxa a mim, que venho denunciando isso desde o primeiro momento”, declarou.

Quinta coluna

Na sequência, ao falar das pessoas que defendem o decreto, o senador afirmou que o estado está cheio de “quinta coluna” que apoiam o presidente. “Aqui está cheio de quinta coluna, que apoiam ele, rapaz”, disse.

O senador disse que há um grupo que espalha fakenews contra ele. “A única coisa que não podem dizer é que eu não viro um leão quando atacam a ZFM. Não podem dizer que eu me acovardo para o presidente. O Amazonas não tem um senador covarde. Se eu tivesse medo da PF (Polícia Federal), do MPF (Ministério Público Federal), eu ficava quietinho. Eu não tenho medo porque não fiz nada errado. E eu estou defendendo os interesses da população. Não é hoje e nem em véspera de eleição”, disse.

Assista no link a entrevista completa. Os primeiros 20 minutos são de entrevista com o presidente do Cieam, Wilson Périco. Os 20 minutos finais, a entrevista com o senador Omar Aziz.