Santa Helena dos Pobres

José Alcimar*

A luta da população empobrecida de Manaus pelo sagrado direito à moradia tem nome, cor e história: Irmã Helena Augusta Walcout, Assistente Social, religiosa negra da Congregação das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo (ASC).

Seu nome de mulher negra, cristã, militante, que teceu sua existência com o destino dos sem-teto, dos sem direito à cidade, faz parte da Manaus que ainda continua segregada pela criminosa especulação imobiliária.

A Manaus que guarda e sempre guardará em sua memória a luta de Irmã Helena pelo direito a um pedaço de chão é a Manaus da população empobrecida, daquelas e daqueles cujos braços e mentes constroem a cidade e dela são excluídos. O povo excluído do direito à cidade foi acolhido pela generosidade militante dessa Irmã Guerreira, que incomodou o contentamento do poder e boa parte de sua contente população, instalada em condomínios, conjuntos residenciais e torres bem protegidas e vigiadas pelo Estado controlado pelo capital.

Queira ou não o Vaticano, o Povo de Deus e o Deus do Povo já canonizaram Irmã Helena, que desde hoje, 13 de junho de 2022, na festa de Santo Antônio do Povo, passa a se chamar Santa Helena dos Pobres.

Tive a honra de ser aluno de Irmã Helena na década de 1970, nos tempos de Seminário Franciscano Menor e guardo na memória até hoje a missa que celebrei com ela numa ocupação que deu origem ao bairro de Novo Israel, em 08 de julho de 1989, época em que era sacerdote franciscano da Terceira Ordem Regular.

*José Alcimar de Oliveira, aluno de Irmã Helena ontem e hoje devoto de Santa Helena dos Pobres. Em Manaus, AM, 13 de junho de 2022.

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