Sem confronto direto, Wilson Lima se alia à contestação a Bolsonaro

Foto: Governador do Amazonas, Wilson Lima, e presidente da República, Jair Bolsonaro. Divulgação

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), adotou postura contrária ao que o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), tem assumido publicamente sobre o Fundo Amazônia e o anúncio da Alemanha de deixar de financiar políticas de combate ao desmatamento na região.

Em matérias publicadas nos sites G1 e da Revista Época, Wilson assume, sem confronto direto de crítica ao presidente, discurso contrário ao de Bolsonaro a respeito da importância do fundo.

O governador do Amazonas se aliou à iniciativa de governadores que defendem a atração de recursos financeiros internacionais para a preservação da floresta na via direta com os estados. Pulando, portanto, as barreiras que o Governo Federal tem criado neste setor.

Preocupado

À revista Época, Wilson Lima declarou que a paralisia do Fundo Amazônia é algo que preocupa o Governo do Amazonas. “Essa situação de paralisia do Fundo Amazônia por causa desses embates é algo que nos preocupa muito porque há uma urgência em utilizarmos recursos, não apenas para proteger, mas para conservar (…) Os investimentos do Fundo Amazônia precisam estar mais próximos dos principais interessados, que é quem mora na Amazônia “, declarou o governador à Revista Época.

Wilson Lima e outros dois governadores ouvidos na matéria, Helder Barbalho (Pará – MDB) e Mauro Mendes (Mato Grosso – DEM), falam da preocupação e do impacto do corte destes investimento nos Estados e no controle ao desmatamento.

Estado perde dinheiro

Além de projetos de ONGs mantidos com recursos do Fundo Amazônia, a paralisia na análise de novos projetos em 2019 também atingiu programas mantidos por estados e municípios com recursos do fundo.

De acordo com informação postada no Portal G1, publicada nesta segunda-feira, dia 12, uma verba de R$ 29,8 milhões para o Amazonas investir, nos próximos três anos, no CAR (Cadastro Ambiental Rural) foi aprovada em 2018, mas continuou retida.

A matéria diz ainda que, com a ajuda do fundo, 746 mil propriedades no CAR foram inscritas e que elas tem uma extensão, se somadas, ao território da Venezuela. O CAR é um instrumento que auxilia no planejamento do imóvel rural e na recuperação de áreas degradadas, indicando ao proprietário também que áreas devem ser preservadas.

Presidente citou Wilson como exemplo de governo que tomou medidas para evitar que o Estado quebre

Wilson exibiu disposição para ser aliado de Bolsonaro, na passagem dele por Manaus. Na ocasião, evitou no discurso as questões mais polêmicas que o Governo Federal levantou no primeiro semestre sobre a ZFM (Zona Franca de Manaus).

Na sequência da viagem a Manaus, o presidente Jair Bolsonaro, durante uma live nas redes sociais, ao falar sobre a importância da reforma da Previdência para estados não quebrarem, citou o Governo do Amazonas, dando aval à Lei do Teto do Governo Wilson Lima.

“Estamos gastando muito mais do que arrecadamos. Tive agora com o governador do Amazonas. Tomou medidas drásticas no tocante ao servidor público estadual. E ele falou a mesma coisa. Se não fizer isso, o Estado quebra (…) Cresceu demais essa folha. Chegou ao ponto que os Estados estão gastando muito mais com o servidor público, entre ativos e inativos, do que permite a Lei de Responsabilidade Fiscal. E alguma coisa tem que ser feita. Se não fizer nada, quebra, quebra tudo”, declarou.

A lei é chamada pelos servidores públicos de lei do congelamento e foi alvo de protestos semana passada.

Carga negativa

Aliados de Wilson Lima avaliam que ele tem carregado nos ombros muita carga negativa de ações amargas que o governo do Estado tem tomado neste primeiro semestre e desaprovam a condução de não criar uma agenda positiva e em conexão com a realidade para ele aliviar o impacto dos últimos dias.

O estranhamento piorou quando ações que poderiam ser usadas com este formato foram divulgadas com a cara e a voz do vice-governador Carlos Almeida (PRTB), como, por exemplo, o pagamento ao Icea (Instituto de Cirurgiões do Estado do Amazonas) referente ao mês de maio, no valor de R$ 4.120.859,760 em meio a uma paralisação no setor da saúde justamente com reclames de atrasos.

Foto: Divulgação

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